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O ensino que nos injetam.



Tirando o meu pré-escolar, toda minha educação nasceu dos meus pais, da igreja que eu frequentava e da escola pública. Quem estudou em escola pública (sim, excluiremos o ensino superior e técnico), sabe que a qualidade maravilhosa dos investimentos feitos pelos políticos (alfinetada básica, porque eu também posso), nos leva a ter alguns professores reservas (comumente conhecidos como professores eventuais). 

Era muito comum eu ter aula com os professores eventuais que eram formados em matérias que não estavam cobrindo. Professores de geografia cobrindo aula de educação física ou de português cobrindo aula de matemática e assim vai.

Então nascia uma guerra em que o professor não sabia para onde fugir:

O aluno está certo em não querer copiar um texto qualquer sem utilidade que o profissional foi obrigado a passar e que não tem nenhuma relação com a matéria;

Ou 

A escola está certa em obrigar o aluno a copiar um texto sem sentido para a matéria, que será ignorado pelo mundo e que só serve para não servir para nada?

Independente de qual opção está menos errada, eu nunca consegui entender ao certo a revolta dos meus colegas de sala e a revolta que eu sentia ao ter que copiar o texto. Acima de tudo, nunca entendi o motivo de descontar nossas frustrações bagunçando a sala toda e enlouquecendo o professor.

Sejamos práticos, só há vítimas nesta bagaça. 

O professor queria poder ensinar algo de verdade, deixar o aluno estudar para a prova (o.k. Só estuda mesmo quando está na faculdade, pois todo mundo sabe que escola pública todo mundo passa desde que não falte), de deixá-lo jogar algum jogo de cartas, tabuleiro ou eletrônico. Queríamos, alunos e professores, o poder de respirar um pouco. 

O aluno queria aprender algo de qualidade, de forma divertida e que o verdadeiramente ajudaria a seguir na carreira profissional. 

Mas saímos cansados da escola, odiando todas as matérias, desistindo de ter uma vida com verdadeira qualidade e não sob a escolha de diversão ou dinheiro. Vivemos sob a guerrinha macabra para tentar provar que a culpa é da escola ou que é do aluno, sob a busca inesgotável por um dono desta culpa e amargura que carregamos. 

Queríamos, todas as vítimas, que começassem a perceber que o ensino que nos injetam, já deu o que tinha que dar.

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